Empresa troca avião de US$ 3,9 milhões por soja

De olho em empresários do agronegócio, que representam 14% do mercado de aviação executiva do Brasil, segundo a Abag (Associação Brasileira de Aviação Geral), a empresa Algar Aviation lançou em agosto um modelo de negócio no qual a compra de um monomotor turboélice TBM 850 (na foto), da francesa Daher-Socata, pode ser paga com a entrega de soja.

O monomotor turboélice TBM 850 da francesa Daher-Socata custa US$ 3,9 milhões (R$ 8,61 milhões); para comprá-lo usando a soja, o agricultor tem que dar uma entrada equivalente a 15% de seu preço; os US$ 3,3 milhões (R$ 7,33 milhões) restantes devem ser pagos em até três anos com o dinheiro da venda de soja para a Algar Agro, outra empresa do grupo do qual a Algar Aviation faz parte.

Como atrativos para agricultores, a francesa Daher-Socata destaca a facilidade do monomotor turboélice TBM 850 de pousar em pistas de terra e seu baixo consumo de combustível. 

Segundo a empresa Algar Aviation, o consumo de combustível do monomotor turboélice TBM 850, da empresa francesa Daher-Socata, é 40% menor que o de um jato que chega a uma velocidade similar, de 593 km por hora; na imagem, painel de controle do avião.

O novo modelo de negócios foi lançado em agosto pela Algar Aviation, parte do grupo Algar, que fatura R$ 50 milhões por ano. A empresa mantém hangares em Uberlândia (MG) e Belo Horizonte, e também trabalha com táxi aéreo e manutenção de aeronaves. 

"Queremos trazer o cliente agro para o mercado falando a linguagem financeira do agronegócio", afirma o diretor superintendente da empresa, Paulo César Olenscki. 

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Imposto de 15% é pago no ato; restante é financiado e pago com soja

Pelo sistema, o agricultor paga o valor do imposto sobre o avião, que corresponde a cerca de 15% do preço final, já no momento da compra.

O restante do valor é financiado por um período de até três anos. Neste período, a Algar Agro -outro braço do grupo do qual faz parte a Aviation- se compromete a comprar do agricultor a quantidade correspondente em soja, independentemente da variação do preço do produto.

A transação também envolve juros, que são negociados caso a caso. Aviões usados dos agricultores também podem entrar como parte do pagamento.

Além do financiamento, a vantagem para o agricultor é ter a garantia de que encontrará comprador para ao menos US$ 3,3 milhões em soja, que é o preço do avião descontados os impostos, afirma o superintendente da Algar Aviation. 

O modelo de vendas é facilitado nos Estados de Maranhão, Tocantins, Goiás e Paraná, onde a Algar Agro tem depósitos para armazenar a soja. "Mas isso não elimina produtores de outras regiões", afirma o executivo, lembrando que, no entanto, eles teriam gastos maiores com o transporte do produto até um armazém.

Usando a cotação da soja no início de outubro no Estado do Paraná, os US$ 3,3 milhões -que são o preço da aeronave descontados os impostos- seriam suficientes para comprar 106 mil sacas.

Com a produtividade média de um produtor paranaense, de cerca de 80,5 sacas por hectare, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), seria necessário entregar a produção de uma área de 1,32 mil hectares para comprar uma aeronave TBM 850.

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Avião tem autonomia de 5,5 horas de voo e alcance de 2.900 km

Segundo Olenscki, de agosto até o começo de outubro, uma aeronave TBM 850 já foi vendida com o novo modelo de negócios. Além dele, 14 unidades do modelo foram vendidos no Brasil pela Algar a empresários do agronegócio, e mais dois aviões, para outros setores.

Como atrativos para agricultores, o executivo destaca a facilidade do monomotor de pousar em pistas de terra e seu baixo consumo de combustível, que, afirma, é 40% menor que o de um jato que chega a uma velocidade similar, de 593 km por hora.

O avião de origem francesa pode voar a uma altitude de 31 mil pés (9.450 metros), carregando até 150 kg de bagagens. Ele tem autonomia de 5,5 horas de voo, com um alcance de 2.900 km, mais do que a distância entre São Paulo e Recife.

"Há produtores que residem em Ribeirão Preto (SP), por exemplo, mas que têm fazenda no Paraná, Maranhão ou Piauí. Às vezes, durante uma ampliação ou criação de um novo negócio, ele tem que ficar dois meses no local para não ter que ficar se locomovendo, quando não tem um avião", afirma Olenscki.

Fonte: André Cabette Fábio, publicado no UOL Agronegócio