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A simbologia histórica do coração

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O coração, órgão central do indivíduo, corresponde, de maneira muito geral, à noção de centro.

Se o Ocidente fez do coração a sede dos sentimentos, todas as civilizações tradicionais localizam nele, ao contrário, a inteligência e a intuição: talvez o centro da personalidade se tenha deslocado da intelectualidade para a afetividade.

Mas Pascal não diz que os grandes pensamentos vêm do coração? Pode-se acrescentar que, nas culturas tradicionais, conhecimento tem sentido muito amplo, que não exclui os valores afetivos. O coração é, de fato, o centro vital do ser humano, uma vez que responsável pela circulação do sangue. Por isso, é ele tomado como símbolo — e não, certamente, como sede efetiva das funções intelectuais.

Essa localização já ocorria na Grécia antiga. Ela é importante na Índia, onde se considera o coração Brahmapura, a morada de Brahma. O coração do fiel, diz-se no Islã, é o Trono de Deus, se, no vocabulário cristão igualmente, o Reino de Deus se contém no coração, é que esse centro da individualidade, para o qual a pessoa retorna na sua caminhada espiritual, representa o estado primordial, inicial, o locus da atividade divina.
O coração, diz Angelus Silesius, é o templo, o altar de Deus: pode contê-lo por inteiro. O coração, diz o Huang-ti nei king, é um órgão régio, representa o rei, e nele reside o Espírito.

 

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Se a igreja cruciforme se identifica com o corpo do Cristo, o lugar do coração é ocupado pelo altar. Diz-se que o Santo dos Santos é o coração do Templo de Jerusalém, ele mesmo coração de Sion (Sião), que é, como todo centro espiritual, um coração do mundo.

O duplo movimento (sístole e diástole) do coração faz dele ainda o símbolo do duplo movimento de expansão e reabsorção do universo. Por isso, o coração é Prajapati, é Brahma na sua função produtora, é a origem dos ciclos do tempo.

Segundo Clemente de Alexandria, Deus, coração do mundo, se manifesta segundo as seis direções do espaço. Alá é, da mesma forma, Coração dos corações e Espírito dos espíritos.

Por estar ele no centro, os chineses fazem corresponder ao coração o elemento terra e o número cinco. Mas em razão da sua natureza porque ele é o Sol — atribuem-lhe também o elemento fogo - ele se eleva até o princípio da luz, como comenta o Su-wen.

A luz do espírito, a da intuição intelectual, da revelação, brilha na caverna do coração. O órgão de uma tal percepção é, segundo o sufismo, o Olho do Coração (Ayn-el-Qalb), expressão que se encontra em numerosos textos cristãos, principalmente em Santo Agostinho.

O coração é o Rei, dizia o Nei-king. A função do coração é governar, confirma um texto ismaelita.

O coração, ensina o mestre taoista Liu-tsu, é o senhor da respiração. O que se poderia explicar pela simples analogia entre o ritmo cardíaco e a respiração, identificados nas suas funções de símbolos cósmicos.

Mas Plutarco se vale da mesma imagem: o sol difunde a luz como o coração difunde o sopro. Ora, também no taoismo, o sopro ou hálito (k'i) é a luz, é o espírito. Liu-tsu concentra o espírito entre as sobrancelhas, onde a ioga situa o Ajna-chakra. Ele transfere, de certo modo, a função do coração: é por isso que esse espaço de uma polegada é chamado coração celeste.

Na escrita hieroglífica egípcia o coração é representado por um vaso. Ora, o coração é relacionado também com o santo Graal, taça da Última Ceia, que recolheu o sangue do Cristo na cruz. É, aliás, extraordinário que o triângulo-vertido, que é uma figuração da taça, seja o símbolo do coração além do fato de que o que contém a poção da imortalidade se necessariamente no coração do mundo.

Na religião egípcia, o coração desempenha papel fundamental: segundo a cosmogonia menfita, o deus Ptá teria pensado o universo com seu coração antes de materializá-lo pela força do verbo criador. Mas, sobretudo, ele é, em cada homem, o centro da vida, da vontade, da inteligência.

Por ocasião da psicostasia, é o coração do defunto — única víscera deixada em seu lugar na múmia — que é posto num dos pratos da balança, e o escaravelho do coração, amuleto essencial, traz gravada a fórmula mágica que impede o coração de testemunhar contra o morto no tribunal de Osíris.
O coração de um homem é seu próprio deus, e meu coração estava satisfeito com meus atos, lê-se na biografia de um discípulo dos sábios. Também numa esteia do Louvre, o coração é comparado à consciência: quanto ao meu coração, ele me fez executar tais atos, ao tempo em que dirigia os meus negócios. Foi para mim uma testemunha excelente Eu brilhava, porque ele fazia com que eu agisse. É a apreciação do deus que está em todo corpo.

O maior desejo de cada um é o que formula Paheri d'El-Kab: "Possas tu atravessar a eternidade com doçura no coração, e no favor do deus que em ti habita".

Assim, o coração é, em nós, o próprio símbolo da presença divina e da consciência dessa presença.
Na Antiguidade clássica, o coração não tinha significação simbólica muito precisa. Uma tradição pretende que Zeus, tendo engolido o coração ainda palpitante de Zagreus, que os titãs desencadeados haviam despedaçado, regenerou seu filho engendrando Dioniso com Sêmele. Parece ser essa a única lenda em que o coração tem algum papel. E esse papel é o de um princípio de vida e de personalidade.

O coração de Zagreus, regenerado, dará Dioniso. No mundo céltico, existe uma assinalada interferência semântica entre centro (em bretão, kreiz; galés, craidd; irlandês, cridhe) e coração. Essas três palavras derivam da raiz indo-europeia krd, coração, centro, meio, de que provieram os vocábulos latino, grego, armênio, germânico e eslavo para coração.

As três línguas bretânicas usam um empréstimo romano para designar o coração (bretão, kalon; cornualhes e galés, calon). Os textos irlandeses dizem, algumas vezes, para evocar a morte de um personagem vencido pela tristeza, que "seu coração partiu-se no seu peito".

O coração simboliza, manifestamente, o centro da vida. Na tradição bíblica, o coração simboliza o homem interior, sua vida afetiva, a sede da inteligência e da sabedoria.

O coração está para o homem interior como o corpo para o homem exterior. É no coração que se encontra o princípio do mal. O homem se arrisca sempre a seguir o seu coração maldoso. A perversão do coração provém da carne e do sangue. Babua ben Asher (fim do séc. XVIII), comentando o texto amar de todo o coração, disse que o coração é o primeiro órgão que se forma e o último que morre, de modo que a expressão de todo o teu coração quer dizer, realmente, até o teu último suspiro.

O coração tem lugar saliente na tradição hebraica. Meditar é falar ao coração. Segundo um Midrash o coração de pedra do homem deve tornar-se um coração de carne. Os sábios de coração têm o espírito de sabedoria.

Na Bíblia, a palavra coração é empregada uma dezena de vezes para designar o órgão corporal, mas há mais de mil exemplos nos quais a interpretação é metafórica. A memória e a imaginação dependem do coração, bem como a vigilância, donde a frase: Durmo, mas o meu coração vela.

O coração tem papel central na vida espiritual. Ele pensa, decide, faz projetos, afirma suas responsabilidades. Conquistar o coração de alguém é fazer com que perca o controle de si mesmo (Cântico dos cânticos, 4, 9-10).

O coração está associado ao espírito e, por vezes, os dois termos se confundem em razão do seu significado idêntico. Donde as expressões: espírito novo e coração novo (Ezequíel, 3b, 2b); coração contrito e espírito contrito (Salmos 51, 19). O coração é sempre mais ligado ao espírito que à alma.

Na tradição islâmica, o coração representa não o órgão da afetividade, mas o da contemplação e da vida espiritual. Ponto de interseção do espírito na matéria... é o essencial do homem, essa oscilação reguladora posta no interior de um pedaço de carne. É o lugar escondido e secreto da consciência.

O coração é representado como constituído de envoltórios sucessivos, cujas cores são visíveis no êxtase. Dentro da nafs, a alma carnal, o sirr constitui a personalidade latente, consciência implícita, subconsciente profundo, célula secreta, oculta a toda criatura, virgem inviolada.

Fazer a aproximação com a centelha, fundamento da alma em Mestre Eckhart. Esse órgão espiritual, a que os sufis chamam o coração, mal se distingue do espírito: Jili diz que quando o Coráo fala do espirito divino insuflado em Adão, é do coração que se trata. Esse mesmo místico descreve o coração como a luz eterna e a consciência sublime revelada na quintessência dos seres criados, a fim de que Deus possa contemplar o Homem por esse meio.

É o Trono de Deus fal-Arsh e seu templo no homem... o centro da consciência divina e a circunferência do círculo de tudo o que existe. O Corão diz que o coração do crente se acha entre dois dedos do Misericordioso.

E uma tradição sagrada faz dizer a Deus: O céu e a terra não me contêm mas eu estou contido no coração do meu servidor.

Os nomes e os atributos divinos constituem a verdadeira natureza do coração: o coração representa a presença do Espírito sob seu duplo aspecto (Conhecimento e Ser), porque ele é, ao mesmo tempo, o órgão da intuição (ai kashf — revelação, ato de levantar o véu; v. véu') e o ponto de identificação fwajdj com o Ser (al-wujudj.

O ponto mais íntimo do coração é chamado o mistério (as-sirr) e é o ponto onde a criatura encontra Deus.

Para os místicos sufistas, o coração é também o Trono da Misericórdia. O amor de que ele é a sede manifesta, com efeito, o amor de Deus. O coração amante é uma teofania, o espelho do mundo invisível e de Deus.

Para Ibn al'-Arabi, o coração do místico é absolutamente receptivo e plástico. Por esse motivo, ele assume qualquer forma pela qual Deus se revele, como a cera que recebe a impressão do sinete (existe uma analogia entre a raiz da pala-vra qalb. coração) QLB, e a raiz de qâbil, QBL, que significa receber, estar em face de (ser passivo, receptivo.

Tirmidh (séc. IX) expõe, como psicólogo místico, a teoria da ciência dos corações e observa explicitamente que qalb (coração) designa tanto o órgão regulador do pensamento quanto a víscera da carne.

Em psicologia muçulmana, o coração sugere os pensamentos os mais escondidos, os mais secretos, os mais autênticos, a base mesma da natureza intelectual do homem. A noção de nascimento espiritual está ligada ao símbolo do coração: Os corações, no seu segredo, são uma só virgem, diz al-Hallaj.

Os místicos são chamados, entre os sufistas, os homens do coração. A visão espiritual é comparada ao olho do coração: Eu vi o meu Senhor com o olho do coração, diz ainda al-Hallaj. O próprio Corão alude ao conhecimento pelo coração: O coração não renega o que viu (a propósito da visão do Profeta, 53, 11) e não são os olhos deles que são cegos, são os seus corações, nos seus peitos, que são cegos (22, 45). Uma única palavra designa a alma e o coração entre os caraíbas da Venezuela e das Guianas. En-tre

os tucanos (bacia Amazônica), há urna palavra só para coração, alma e pulso.
Para os wuitotos (sul da Colômbia), coração, peito, memória e pensamento são a mesma coisa. Para os povos indígenas pueblo do Arizona, os filhos são produto da semente saída da medula espinhal do homem e do sangue do coração da mulher.

Nas tradições modernas, o coração tornou-se um símbolo do amor profano, da caridade enquanto amor divino, da amizade, e da retidão. Guénon observou que o coração tinha a forma de um triângulo invertido. Como os símbolos que assumem essa forma, o coração se reportaria "ao princípio passivo ou feminino da manifestação universal [...] enquanto aqueles (símbolos) esquematizados pelo triângulo direito se reportam ao princípio ativo ou masculino".

Sabe-se que no Egito antigo o vaso era o hieróglifo do coração, e que na Índia o triângulo invertido é um dos símbolos principais da xácti, o elemento feminino do ser, ao mesmo tempo que o das Águas primordiais.

 

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Fonte: Livro Dicionário dos Símbolos, por Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, editora J.O.


Página atualizada na Agência EVEF em 18/03/2022 por Everton Ferretti