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Estrela como símbolo histórico

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No que concerne à estrela, costuma-se reter sobretudo sua qualidade de iluminar, de fonte de luz.

As estrelas representadas na abóbada de um templo ou de uma igreja dizem respeito, especificamente, ao significado celeste desses astros. Seu caráter celeste faz com que eles sejam também símbolos do espírito e, particularmente, do conflito entre as forças espirituais (ou de luz) e as forças materiais (ou das trevas).

As estrelas traspassam a obscuridade; são faróis projetados na noite do inconsciente. A estrela flamejante da Maçonaria procede do pentagrama pitagórico (algumas vezes deno-minado de selo de Salomão, se bem que essa designação seja mais frequentemente reservada, na prática, ao hexágono estrelado, ou escudo de Davi).

A estrela flamejante de cinco pontas é o símbolo da manifestação central da Luz, do centro místico, do foco ativo de um universo em expansão. Traçada entre o esquadro e o compasso — ou seja, entre a Terra e o Céu — ela representa o homem regenerado, radioso como a luz, em meio às trevas do mundo profano.

E ela é, assim como o número cinco, símbolo de perfeição. No quadro do grau de Companheiro, a estrela flamejante tem no centro a letra G: é o equivalente do iod. O Princípio divino no coração do iniciado.

Além disso, a estrela de cinco pontas é um símbolo do microcosmo humano; e a estrela de seis pontas, emblema do judaísmo, com seus dois triângulos invertidos e enlaçados (selo de Salomão), simbolizaria o amplexo do espírito
e da matéria, dos princípios ativo e passivo, o ritmo de seu dinamismo, a lei da evolução e da involução.

A estrela de sete pontas, por sua vez, participa do simbolismo do número sete; unindo o quadrado e o triângulo, ela representa a lira cósmica, a música das esferas, a harmonia do mundo, o arco-íris de sete cores, as sete zonas planetárias, o ser humano em sua totalidade etc.

Tanto para o Antigo Testamento quanto para o Judaísmo, as estrelas obedecem às vontades de Deus e, eventualmente, as anunciam (Isaías, 40, 26; Salmos 19, 2).

Portanto, elas não são criaturas puramente inanimadas: um anjo vela sobre cada estrela (1 Enoch, 72, 3). E daí para que se começasse a ver na estrela o símbolo do anjo era só um passo, que não tardou a ser dado: o Apocalipse fala de estrelas caídas do céu (6, 13), como se se referisse a anjos caídos.

Daniel (12, 3), quando descreve o que haveria de ocorrer aos homens no momento da ressurreição, usa justamente o símbolo da estrela para caracterizar a vida eterna dos justos: a ascensão para o estado de estrelas celestes.

Em compensação, quando o visionário do Apocalipse fala das sete estrelas que o Cristo segu-ra em sua mão direita (1, 16-20; 2; 3, 1), refere-se sem dúvida aos sete planetas, às sete Igrejas (à testa dos destinos humanos).
Finalmente, restaria ainda por assinalar que a profecia de Números, 24, 17 influenciou a simbólica messiânica, e que a estrela foí muitas vezes considerada uma imagem ou nome do Messias esperado.

Explica-se, assim, a presença de uma estrela nas moedas cunhadas por Simão Bar-Kokba (Filho da Estrela), chefe político-religioso da segunda revolta judaica em 132-135 da nossa era.

Estrela é o nome de uma divindade gaulesa, Sirona, cuja existência é amplamente atestada pela epigrafia romana da época. Uma outra divindade galesa tinha o nome de Arianrod, a roda de prata, que, segundo Joseph Loth, servia igualmente para designar uma constelação: a corona Borealis.

Pode-se supor, em função das tendências do panteão céltico, que os teônimos designem um dos aspectos da grande deusa primordial, embora não haja possibilidade alguma de se fazer qualquer interpretação mais detalhada.
No atual estado de nossos conhecimentos, pode-se afirmar somente que os celtas não ignoravam o simbolismo astral.

Segundo os iacutos, as estrelas são as janelas do mundo.
São aberturas dispostas de modo a permitir a aeração das diferentes esferas do céu (geralmente em número de 9, mas, às vezes, também de 7, 12 ou 15). Uno Holmberg observa que essa ideia mítico-religiosa domina todo o hemisfério norte. Está implícita, também, numa expressão muito difundida do simbolismo do acesso ao Céu através de uma porta estreita: o interstício entre os dois níveis cósmicos alarga-se só por um instante, na pequena dimensão de uma estrela, e o herói (ou o iniciado, o xamã etc.) deve aproveitar esse instante paradoxal para penetrar no Além.

Nos mitos astecas, as estrelas são chamadas de mimixcoatl (serpentes-nuvens), porque Mixcoatl, deus da Estrela Polar, multiplicou-se nelas; elas já existiam anteriormente e, naquele tempo, serviam de alimento ao Sol.

Para os pré-colombianos maias, as estrelas são muitas vezes representadas como olhos, de onde brotam raios de luz. Na Guatemala, elas ainda hoje representam, na crença popular, as almas dos mortos.

Delas emanam os insetos, que descem para visitar a terra. Segundo o Padre Cobo, a mesma crença existe no Peru: as estrelas são as almas dos justos. Entretanto, o Inca Garcilaso nos diz, por sua vez, que elas eram consideradas damas e súditas da corte da Lua.

Mas sem dúvida é o Padre Cobo (Historia del Nuevo Mundo) quem nos dá a explicação mais interessante do simbolismo cósmico das estrelas, observado entre os incas, ao dizer:

Não apenas os homens, mas também todos os animais e os pássaros eram representados no céu por estrelas ou constelações que, segundo a crença dos povos originários, eram como sua causa segunda, lá colocadas pelo Criador a fim de velar pela conservação e pelo crescimento das
espécies.

O Padre Acosta (Historia natural y moral de las Índias) é da mesma opinião: de todos os animais e pássaros existentes na terra, eles acreditavam que um duplo figurasse no céu, a cargo do qual estariam sua procriação e seu crescimento (ou proliferação).

Crença essa que tem relação com uma crença dos bambaras, segundo a qual a água, espelho da criação e matéria do sétimo céu, contém os duplos, ou testemunhas, de todas as espécies criadas, a fim de que o grande demiurgo, organizador do mundo, cuja morada é também no sétimo céu, possa controlar suas criaturas.

Segundo o Kalevala (Finlândia), as estrelas são feitas de fragmentos da casca do ovo cósmico. A estrela da manhã tem uma significação toda especial. De cor vermelha, anunciadora do perpétuo renascimento do dia (princípio do eterno retorno), ela é símbolo do próprio princípio da vida. E é nesse sentido que a homenageiam os povos indígenas da pradaria.

Eis um extrato de cantos do Hako, ritual dos pawnees:

A estrela da manhã assemelha-se a um homem inteiramente pintado de vermelho; tal é a cor da vida, ele usa perneiras e uma veste o envolve. Sobre sua cabeça está pousada uma macia e penugenta pluma de águia, pintada de vermelho. Essa pluma representa a nuvem macia e leve que flutua alto nos céus, e o vermelho é o toque de luz de um raio do sol nascente. A macia e penugenta pluma é o sím-bolo da respiração e da vida... Estrela da Manhã, aproxima-te ainda mais. Traz-nos a força e a renovação... Seu brilho diminui de intensidade; ela recua, retornando para o lugar onde habita e de onde veio. Nós a contemplamos a desaparecer, diante de nossos olhos. Ela nos deixou o dom de vida, que Tirawa-Atius (Tirawa-Atius o Pai da vida, Deus supremo uraniano) por ela nos enviara... O dia a segue de bem perto...

Entre os coras (povos indígenas do Sudoeste da América do Norte, vizinhos do México), a Estrela da Manhã faz parte da Trindade Suprema, juntamente com a Lua e o Sol.

Herói civilizador, ela mata a serpente, Senhor do Céu Noturno e das Águas, para oferecê-la como alimento à Águia, Deus do Céu Diurno e do Fogo. Segundo o cronista Sahagun, Vênus, em sua qualidade de estrela da manhã, é temida pelos mexicanos que, de madrugada, costumam fechar portas e janelas para evitar seus perigosos raios. Ela lança enfermidades e, por causa disso, é muitas vezes representada pela figura de um arqueiro. Algumas vezes, chega até mesmo a ostentar uma máscara em forma de caveira. Considerada o irmão mais velho do Sol pelos maias, ela é representada pela figura de um homem corpulento e rude, cujo feio rosto apresenta-se ornado por uma barba hirsuta: é o patrono dos animais da floresta, ao qual os caçadores costumam fazer oferendas de fumaça de copai e dirigir preces, ao nascer do dia.

Na poesia elegíaca árabe e persa, é à fronte da bem-amada (quando descoberta e livre de véus) que se compara a estrela Vênus, a elevar-se na brancura do alvorecer.

A Estrela Polar desempenha um papel privilegiado na simbólica universal: o de centro absoluto em torno do qual, eternamente, gira o firmamento. Todo o céu gira em torno desse ponto fixo, que evoca ao mesmo tempo o Primeiro motor imóvel e o centro do universo.

Em relação à Polar é que se definem a posição das estrelas, a dos navegadores, a dos nômades, a dos caravaneiros e a de todos os errantes nos desertos da terra, dos mares e do céu.

Em numerosas regiões da Ásia e da Europa, ela é chamada de estaca, eixo, umbigo, centro orgânico, porta do céu, estrela umbilical do Norte. Estaria ligada, igualmente, ao mistério da geração. Na China, costuma-se compará-la ao Ser principesco, o Nobre, o Sábio: o Kiun-tse é como uma Estrela Polar fixa, em direção à qual rodas as outras estrelas se voltam no gesto de uma saudação cósmica.

É a ela que Shakespeare compara o homem que permanece inflexível (Júlio César, III). Em suma, o polo celeste simboliza o centro ao qual tudo se refere, o Princípio de onde tudo emana, o Motor que move tudo e o chefe em torno do qual gravitam os astros, como uma corte, em volta de seu rei.

Em certas religiões primitivas, a Estrela Polar é a sede do Ser divino a quem se costuma atribuir a criação, a conservação e o governo do universo.

A Polar é, por excelência, o trono de Deus. Lá de cima, ele vê tudo, fiscaliza tudo, comanda tudo, intervém, recompensa ou castiga, dando lei e destino ao mundo celeste, do qual o terrestre não passa de uma réplica.
Segundo a tradição turco-tártara: No meio do céu brilha a Estrela Polar, que fixa a tenda celeste como uma estaca. Na língua dos samoiedos, ela é o prego do céu, a estrela-prego; e o mesmo se constata entre os lapões, filandeses e estonianos.

Os turco-altaicos concebem a Estrela Polar como uma pilastra: ela é a pilastra de ouro entre os mongóis, calmuques e buriatas; a pilastra de ferro dos quirguizes, dos basqueires e dos tártaros siberianos; a pilastra solar dos teleutas.

Uma imagem mítica complementar é a das estrelas ligadas, de uma maneira invisível, à Estrela Polar. Na imaginação dos buriatas, as estrelas são como uma manada de cavalos, e a Estrela Polar é a estaca à qual os cavalos são amarrados.

O Irminsül dos saiões é denominado por R. Von Fulda de Universalis Columna, quasi sustinens omnia (a coluna do universo, sustentáculo de todas as coisas).

Os lapões da Escandinávia receberam essa crença dos antigos germanos; dão à Estrela Polar o nome de O pilar do céu ou o pilar do mundo. Houve quem comparasse o Irminsül às colunas de Júpiter.

Ideias similares sobrevivem ainda no sudeste europeu; por exemplo: a coluna do céu dos romenos. Os tchuctches sabem que o orifício do céu é a Estrela Polar, que os três mundos estáo interligados por orificios semelhantes e que é através deles que o xamã e os heróis míticos estabelecem comunicação com o céu.

E tanto entre os altaicos quanto entre os tchuctches, o caminho do céu passa pela Estrela Polar. Em sua viagem mística, o xamã iacuto escala uma montanha de sete patamares. O cimo dessa montanha está situado na Estrela Polar, no Umbigo do céu.

Os buriatas dizem que a Estrela Polar está enganchada no cume da montanha. O monte Meru da mitologia indiana ergue-se no centro do mundo; acima dele, faísca a Estrela Polar.

Os povos uralo-altaicos conheciam também um monte central chamado Sumbur, Sumur ou Sumeru, em cujo píncaro está suspensa a Estrela Polar.

De acordo com a tradição islâmica, o local mais alto da terra é a Caaba, porquanto a Estrela Polar prova que ela se encontra exatamente abaixo do centro do céu. A estrela é também teofania, uma manifestação de deus na noite da fé, para preservar de todas as ciladas do caminho que conduz a criatura em direção ao seu Criador.

Ela fulge, não apenas no céu físico, mas no coração do homem, obscurecido pelas paixões e mergulhado na noite dos sentidos:

Nessa noite tenebrosa, eu perdi o caminho da busca. Aparece, pois, ó estrela que nos guias! Aonde quer que eu vá, minha angústia não faz senão aumentar.

Segundo Anokin, citado por Uno Harva, "a Estrela Polar constituiria não o último, mas o quinto dos sete ou nove obstáculos que deve transpor o xamâ durante o percurso de sua ascensão para o Céu do Deus Supremo".

Segundo uma outra tradição xamânica, relatada por Boratav e citada por Uno Harva, todos os mundos estão ligados entre si por aberturas situadas perto da Estrela Polar.

Encontra-se crença análoga, relatada por Alexander, entre os indígenas pés-negros. A Estrela Imóvel (Estrela Polar) é uma abertura colocada na abóbada celeste, através da qual Soatsaki (um herói legendário) foi levado para o céu e, depois, tornou a ser trazido para a terra.

Conforme a sabedoria esotérica dos xamãs, a Estrela Polar é o eixo em torno do qual gira o firmamento. Sua pósição é considerada fixa. Era nas paragens dessa estrela que a abóbada celeste atingia seu ponto culminante. Umbigo do Mundo, situada no cume da montanha do Mundo pela maioria das tradições asiáticas, na Ásia Menor, na Índia e na Ásia Central, ela indica a morada do Deus supremo uraniano.

E esta é a razão pela qual os habitantes dessas regiões colocavam muitas vezes os altares de seus templos dirigidos para o Norte: Todos eles oram voltados para o Norte, escrevia Ruysbroek no séc. XIII.

Já a Bíblia (Isaías, 14, 13) diz: "[...] estabelecer-me-ei na montanha da Assembleia, nos confins do Norte."

A Polar, sendo o eixo e o Centro do Universo, como tal é evocada pelos noivos, nos ritos védicos de casamento, a fim de que lhes seja assegurada descendência. O marido aponta-a à mulher, pronunciando as seguintes palavras:
Náo vaciles! toma em mim teu alimento. E a esposa responde: Eu vejo a Polar, Que me seja concedida descendência!

O marido desempenha o papel de Estrela Polar no pequeno universo do lar. Entre os keitas do Mandé (Mali), o glifo estrela cadente representa a jovem esposa que deixou a casa paterna, para chegar à do esposo; por isso, costuma-se chamar a estrela cadente de a pequena proprietária da tanga.

Estrelas reais: é o nome que se dá geralmente em astrologia às quatro estrelas fixas de primeira grandeza, particularmente importantes nos temas.

Essas estrelas foram os pontos de referência do calendário babilônico: Aldebarã, principal da constelação do Touro, Guardiã do Este; Regulus, da constelação do Leão, Guardiã do Norte; Antares, cerne da constelação do Escorpião, Guardiã do Oeste; e Fomalhaut, do Peixe Austral, Guardiã do Sul.

Esta lista náo é única, e varia segundo os autores. Assim, às vezes substitui-se Regulus por Rigel, da constelação de Órion (chamada, na Índia, de Raja, senhor, rei, o que salienta seu papel de estrela real), e Antares (que é uma estrela nefasta, o coveiro das caravanas para os povos mesopotâmicos) pela benéfica Spica, Espiga da Virgem.

No entanto, Sírio, a mais brilhante estrela do céu, jamais figura entre essas estrelas reais. Muitas imagens simbólicas são associadas a cada uma dessas estrelas. Na maioria dos casos, costuma-se representar Aldebaran por um olho, Regulus, por um coração ou coroa Antares (cujo nome provém de Ares-Marte), por um punhal ou cimitarra, e Spica, por uma esfinge com cabeça e tronco de mulher, ou por uma gavela (feixe de espigas).

A estrela de Belém é considerada pela maioria dos historiadores uma concessão da Igreja nascente ao pensamento astrológico, na época todo-poderoso, e se inclui entre os fenômenos cósmicos extraordinários, parecidos entre si, que precederam o nascimento de quase todos os chamados Filhos de Deus (inclusive Buda).

Assim, por exemplo, segundo lendas tardias, a natividade do Agni (que, tal como Jesus, era depositado por sua Mãe-Virgem, Maya, e por seu pai terreno, Twâstri, o Carpinteiro, entre a Vaca mística e o jumento, portador do Soma) era anunciada pela aparição de uma estrela denominada Savanagraha.

Seria um erro pensar que a data do nascimento do Cristo possa ser determinada pela Astronomia ou pela Astrologia. Todas as pesquisas astronômicas da Estrela de Belém foram em vão.

Imaginaram-se hipóteses várias: a aparição de um cometa, quádrupla conjunção de planetas, estrela nova etc, mas todas essas explicações são claramente insuficientes e forçadas. Provavelmente o fenômeno é simbólico, psicológico, e não físico.

No tempo do nascimento presumível do Cristo, as observações astronômicas eram tão difundidas que, se qualquer grande fenômeno ocorresse, teria sido observado e consignado pelos autores orientais ou romanos. Na falta de documentação, torna-se impossível determinar a que época remontam as primeiras tentativas de se preparar o tema astrológico de Jesus.

Todavia, depois do Diabo, centro da noite, e da Habitação Divina, explosão da contradição, a Estrela, 17° arcano maior do Tarô, é um centro de luz.

Em astrologia, ela corresponde à quinta casa horoscópica. Uma mulher jovem, nua, de cabelos azuis e cacheados a tombarem-lhe sobre os ombros, com o joelho esquerdo apoiado no chão, segura duas jarras vermelhas, uma em cada mão, cujo conteúdo, azul, ela derrama numa espécie de lago, também azul.

Do chão, amarelo e ondulado, brotam uma planta de três folhas e dois arbustos verdes que se destacam contra o céu. O arbusto da esquerda é o mais importante: um pássaro negro, símbolo da alma imortal, nele acaba de pousar.

No céu, seis estrelas, superpostas de três em três, de tamanhos e cores diferentes (duas amarelas de sete pontas, duas azuis e duas vermelhas de oito pontas), estão dispostas em forma simétrica em torno de uma sétima, situada no topo da lâmina (ou carta), bem maior do que as demais, e que dá a impressão, por sua vez, de ser composta de duas estrelas de oito pontas, superpostas, sendo uma amarela, e a outra, vermelha.
Segundo certos comentaristas, essas estrelas são a natureza humana e a natureza divina. Bem por cima da cabeça da jovem, que sem dúvida personifica Eva ou a humanidade, brilha uma estrela amarela de oito pontas.
Esse conjunto de sete estrelas, agrupadas em torno de uma estrela maior, evoca a constelação das Plêiades. Faz lembrar, também, o oitavo arcano, o da Justiça, em sua qualidade de inteligência coordenadora das ações e reações naturais.

Pela primeira vez aparecem astros no Tarô, e as duas cartas seguintes serão a Lua e o Sol. Até esse momento, o homem estava encerrado em seu universo; agora, ele se mistura à vida cósmica e se abandona às influências celestes que deverão conduzi-lo à iluminação mística.
Essa jovem nua está num estado de perfeita receptividade, e nada guarda para si daquilo que recebeu. A água que escorre de seus jarros, serpenteando como a dos jarros da Temperança (arcano XIV), é azul como seus cabelos, e vai juntar-se, embora não chegue realmente a misturar-se, a uma água igualmente azul, ou vai regar a terra árida.
Acaso isso não significa fazer participar do caráter celeste os elementos materiais que são a água e a terra?
Intercomunicação de mundos diferentes, alma que une o espírito à matéria, passagem à evolução orientada ... o arcano XVII apresenta um simbolismo de criação, de nascimento, de mutação. A imagem da água a escorrer de um jarro faz lembrar que o nascimento, nos sonhos e nos mitos, se associa a imagens de água ou se exprime através dessas imagens... A estrela é o mundo em formação, o centro original de um universo.

Estreitamente ligada ao céu, do qual depende, a Estrela evoca também os mistérios do sono e da noite; para resplandecer com seu brilho pessoal, o homem deve situar-se nos grandes ritmos cósmicos e harmonizar-se com eles.

Esse arcano, com sua flora e suas águas, seus dois cântaros a se derramarem, suas estrelas de sete e de oito pontas, simboliza a criação, mas de modo algum uma criação realizada e perfeita, e, sim, em vias de se realizar; indica um movimento de formação do mundo ou de si mesmo, um retorno às fontes aquáticas e luminosas, aos centros de energia terrestres e celestes. Simboliza a inspiração que vem materializar ou, melhor, traduzir os desejos até então inexprimíveis do artista.

 

 

Fonte: Livro Dicionário dos Símbolos, por Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, editora J.O.


Página atualizada na Agência EVEF em 29/03/2022 por Everton Ferretti