O simbolismo da viagem, particularmente rico, resume-se, no entanto, na busca da verdade, da paz, da imortalidade, da procura e da descoberta de um centro espiritual. Já consideramos anteriormente as Navegações, a travessia do Rio, a busca das Ilhas.

É que, na realidade, essas viagens só se realizam no interior do próprio ser. A viagem que é uma fuga de si mesmo nunca terá êxito. Este centro inacessível também é simbolizado pelo Livro ou pela Taça. A sua busca produz as ricas aventuras do Graal ou do Si-yeu ki. Essas buscas, como sendo as do conhecimento, correspondem ainda às viagens de Eneias, de Ulisses, de Dante, de Christian Rosenkreuz ou de Nicolas Flamel, e à do Príncipe do Oriente nos Atos de Tomás.

As viagens são igualmente — mas não nos afastemos das noções precedentes — a série de provas preparatórias para a iniciação, encontradas nos mistérios gregos, na maçonaria e nas sociedades secretas chinesas.

A viagem enquanto progressão espiritual — que encontramos no budismo sob a forma de vias, veículos, travessias — exprime-se muitas vezes como um deslocamento ao longo do Eixo do mundo. É o caso da viagem de Dante.

O Profeta Maomé foi levado ao Céu no seu Miraj; a tradição chinesa conta o mesmo a respeito de Tchao Kien-tse e de K'i, filho de Yu-o-Grande. Se a busca da montanha central é uma progressão em direção ao eixo, a sua ascensão é o equivalente de uma elevação ao Céu.

Frequentemente, a travessia de Pontes tem o mesmo significado. A caminhada em direção ao centro também se expressa pela busca da Terra prometida e pela peregrinação.

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Orígenes faz uso expresso da saída do Egito, da travessia do deserto e da travessia do Mar Vermelho para simbolizar as etapas da progressão espiritual.

O poço (Beur) de Jetro, perto do qual Moisés parou, é, na verdade, observa São Martinho, um centro espiritual secundário.

Viagens são igualmente o Relato do Pássaro de Avicena, o Relato do exílio ocidental e a Epístola das Torres de Sohrawardi d'Alep.

Neles não fica explicado que a busca é a da pátria original e não de alguma pátria terrena? Al salik, o Viajante, é um título atribuído por certas confrarias muçulmanas. "Mas quem é o Salik?", interroga Shabestari: "aquele que volta a face para o Dai (para o Profeta). Viaja em ti mesmo", acrescenta ele.

E é em si mesmo que se alcança a Grande Paz (Tai-ping) dos chineses, a Tranquilidade dos hindus, a Cidade da Verdade de Santo Isaac de Nínive, e por fim, o Graal também.

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A viagem simbólica é frequentemente realizada post-mortem. Os casos mais conhecidos são os dos Livros dos mortos, egípcio e tibetano. Mas encontramos o mesmo tema em muitas outras regiões, por exemplo, entre os tais negros do Vietnã do Norte e entre os maias da América Central.

Aqui, mais uma vez, trata-se evidentemente de uma progressão da alma em estados que prolongam os da manifestação humana, o objetivo supra-humano ainda não tendo sido alcançado.

A literatura universal oferece-nos múltiplos exemplos de viagens que, sem terem o alcance dos símbolos tradicionais, são significativas em diferentes graus — mesmo que sejam apenas satíricos e moralistas —, mas que ainda assim são buscas da verdade.

Citaremos o Pantagruel de Rabelais, As viagens de Guliver de Swift, assim como inúmeras obras da literatura japonesa, como o Utsubo monogatari ou o Wasobyoe.

De um ponto de vista claramente diverso dos anteriores, a longa, longa viagem, a longa, longa corrida é, segundo o Digha nikaya, a cadeia causal ininterrupta à qual nos condenamos por não termos nos despertado para as quatro nobres Verdades do ensinamento búdico.

Nos sonhos e nas lendas, a viagem sob a terra significa a penetração no domínio esotérico; a viagem no espaço aéreo e celeste, o acesso ao domínio do esoterismo. Nas duas encostas de uma montanha, significa o esforço durante a subida, o descanso durante a descida.

A viagem exprime um desejo profundo de mudança interior, uma necessidade de experiências novas, mais do que de um deslocamento físico. Segundo Jung, indica uma insatisfação que leva à busca e à descoberta de novos horizontes.

Essa aspiração à viagem será a busca da Mãe perdida, como pensa Jung? Cirlot observa com justeza que pode igualmente ser a fuga da Mãe. De fato, lembremos o aspecto duplo desse termo, generoso e possessivo.

A viagem ao inferno representa uma descida às origens, como no sexto canto da Eneida, ou uma descida ao inconsciente, de acordo com as interpretações modernas. Nos dois casos, não é possível detectar uma necessidade de justificação?

Os romanos procuravam títulos de nobreza entre os heróis antigos, o homem moderno procura causas que expliquem o seu comportamento.

A viagem aos infernos parece ser geralmente sentida mais como uma autodefesa, uma autojustificação, do que uma autopunição.

Outras viagens, como as de Ulisses, de Hércules, de Menelau, de Salaad e de tantos outros, são interpretadas como buscas de ordem psíquica e mística.

Em todas as literaturas, a viagem simboliza, portanto, uma aventura e uma procura, quer se trate de um tesouro ou de um simples conhecimento, concreto ou espiritual. Mas essa procura, no fundo, não passa de uma busca, e na maioria dos casos, uma fuga de si mesmo. "Os verdadeiros viajantes são aqueles que partem por partir", diz Baudelaire.

Eternamente insatisfeitos, sonham com o desconhecido mais ou menos inacessível:
Aqueles cujos desejos têm a forma de nuvens E que sonham, como o recruta com o canhão, com vastas volúpias, mutantes, desconhecidas, Das quais o espírito humano jamais soube o nome. Mas eles jamais encontram aquilo de que quiseram fugir: eles próprios.

Amargo saber, o que nos dá a viagem! O mundo, hoje monótono e pequeno Ontem, amanhã, sempre, nos faz ver a nossa imagem: Um oásis de horror num deserto de tédio!

Neste sentido, a viagem torna-se o signo e o símbolo de uma perpétua recusa de si mesmo, da diversão da qual falava Pascal, e seria preciso concluir que a única viagem válida é a que o homem faz ao interior de si mesmo.

 Fonte do texto acima: Livro Dicionário dos Símbolos, por Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, editora J.O.

 

simbologia da viagem de frodo

Simbologia da obra de ficção O senhor dos anéis

A trilogia principal de The Lord of the Rings utiliza a viagem como um dos seus símbolos centrais. Em termos históricos, mitológicos e literários, essa jornada segue um padrão muito antigo de narrativas épicas: a travessia que transforma o viajante. J. R. R. Tolkien construiu a história inspirando-se em mitologias europeias, especialmente nórdicas, anglo-saxônicas e cristãs.

A seguir estão os principais significados simbólicos dessa viagem.

A jornada iniciática (o herói em transformação)

A viagem de Frodo Baggins desde o Condado até Mordor representa o processo de transformação interior.

Esse modelo narrativo corresponde ao arquétipo da jornada do herói, estudado por Joseph Campbell. O protagonista deixa o mundo seguro, enfrenta provações e retorna transformado.

Na trilogia composta por The Fellowship of the Ring, The Two Towers e The Return of the King, cada etapa da viagem representa um estágio psicológico e moral:

  • saída do lar → ruptura com a inocência
  • travessia de perigos → amadurecimento moral
  • chegada ao destino → sacrifício e redenção

O símbolo medieval da peregrinação

A viagem também ecoa a tradição medieval de peregrinação espiritual.

No imaginário cristão europeu, a vida era frequentemente representada como uma jornada rumo à salvação. Frodo carrega o Anel de forma semelhante a um fardo espiritual, atravessando paisagens que lembram provas morais.

Nesse sentido:

  • Mordor simboliza a queda moral absoluta
  • o Anel simboliza a tentação do poder
  • a caminhada representa a luta contra a corrupção interior

Essa leitura se relaciona com a visão católica de Tolkien, embora ele evitasse alegorias diretas.

A travessia mítica do mundo conhecido ao desconhecido

A viagem da Sociedade do Anel repete um padrão comum em mitologias antigas: sair da terra civilizada e atravessar regiões cada vez mais perigosas.

Exemplos clássicos incluem The Odyssey e Beowulf.

Nessas narrativas, o herói atravessa fronteiras simbólicas do mundo.

Na Terra-média que ambienta O senhor dos anéis isso ocorre em etapas:

  • Condado → mundo doméstico
  • Florestas e montanhas → mundo selvagem
  • Mordor → mundo infernal

Cada região representa um nível mais profundo de ameaça e prova.

A viagem como dissolução da inocência

Outro significado importante é o fim de uma era.

O Condado representa um ideal pastoral semelhante à Inglaterra rural pré-industrial. Quando os hobbits partem, eles deixam para trás esse mundo protegido.

Ao final da jornada:

  • Frodo não consegue mais viver no Condado
  • a Terra-média entra numa nova era dominada pelos homens
  • os elfos partem para o Oeste

Ou seja, a viagem também simboliza a transição histórica entre eras.

O retorno impossível

Diferente de muitos mitos heroicos, a jornada de Frodo não termina com um retorno feliz. Ele parte para as Terras Imortais no final de The Return of the King. Isso reforça um símbolo antigo presente em mitologias: algumas viagens transformam tanto o viajante que ele não pode voltar ao mundo original.

Em síntese:

Na trilogia, a viagem simboliza simultaneamente:

  • transformação espiritual do herói
  • peregrinação moral
  • travessia mítica do mundo
  • fim de uma era histórica
  • perda da inocência

Por isso a jornada em O Senhor dos Anéis funciona como um mito moderno construído a partir de estruturas narrativas muito antigas.


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Página atualizada na Agência EVEF em 15/03/2026 por Everton Ferretti